Muita gente nem lembra, mas o Piauí já teve trem de passageiros ligando várias cidades, inclusive até Fortaleza. Agora, com as discussões sobre a ferrovia Transnordestina, esse assunto voltou a circular — e, para quem depende de transporte público ou sente falta daquele charme do trem, a notícia anima.
O governador Rafael Fonteles está pressionando o Governo Federal para que o antigo trecho da Transnordestina, que vai de Caxias (MA) até Altos (PI), passando por Teresina, volte a funcionar para passageiros. O pedido é para incluir essa reativação quando o contrato da Transnordestina Logística, empresa que opera a ferrovia, for renovado. Enquanto isso, outro trecho dessa ferrovia, que vai ligar o sul do Piauí ao Porto de Pecém (CE), está em obras e a previsão é que fique pronto até 2028.
Segundo o governador, reativar o transporte de passageiros por trem pode fazer toda a diferença para quem mora nessas cidades e precisa ir e vir, seja para trabalhar, estudar ou resolver algo do dia a dia. Ele contou que a própria empresa já demonstrou interesse em investir nisso. O contrato federal deve ser renovado em 2026, e a ideia é colocar esse pedido na mesa: trazer de volta o trem entre Caxias, Timon, Teresina e Altos para a população.
Muitos talvez nem saibam, mas esse trecho da ferrovia está parado desde 1988. Antes disso, o trem fazia seis viagens por semana, levando passageiros por várias cidades do norte do Piauí e do Ceará, incluindo Fortaleza. O trajeto passa por lugares como Buriti dos Montes, Castelo do Piauí, Ibiapaba, Crateús, Ipu, Sobral, Itapipoca, Croatá, Caucaia, entre outros. Para quem já viajou de trem por ali, fica aquela nostalgia.
Transnordestina: obras aceleradas e teste de carga chegando
Falando das obras, o trecho da Transnordestina que vai ligar o sul do Piauí ao Porto de Pecém está a todo vapor. Agora em outubro, já vai passar pelo primeiro teste para transporte de cargas. O governador explicou que, nesse momento, os trabalhos estão mais focados no Ceará, já que a parte do Piauí está praticamente pronta. O próximo passo é avançar de São Miguel do Fidalgo até Eliseu Martins.
Logo já vão testar a operação do trecho de Simplício Mendes até o sertão central do Ceará, levando grãos para abastecer as granjas e a bacia leiteira da região. Esse teste vai mostrar se tudo está funcionando bem e se a ferrovia está pronta para o batente pesado do transporte de cargas.
De acordo com Rafael Fonteles, essa ferrovia é importantíssima para o agronegócio e a mineração no Piauí. Ele acredita que o impacto será enorme, especialmente para quem vive no sudeste do estado, onde a produção agrícola e de minérios está crescendo rápido.
Em junho, o Governo Federal liberou R$ 1,4 bilhão para garantir que a obra não pare. O dinheiro vem dos fundos de desenvolvimento do Nordeste (Finor e FDNE), com R$ 600 milhões saindo ainda em 2024 e mais R$ 816 milhões do Finor. Para a economia do Nordeste, essa ferrovia é estratégica, porque vai facilitar o escoamento de grãos e minérios direto para os portos de Pecém e Suape, ampliando as exportações da região. Para quem trabalha nesse ramo, isso pode significar mais oportunidades e menos burocracia.
Como a ferrovia Transnordestina está organizada
A Transnordestina foi pensada em três grandes etapas. A primeira começa no Porto do Pecém (CE) e segue até São Miguel do Fidalgo (PI), passando por Salgueiro (PE), num total de cerca de 1.040 km. A segunda fase cobre 166 km entre Paes Landim e Eliseu Martins, tudo dentro do Piauí. Já a última etapa vai de Salgueiro (PE) até o Porto de Suape (PE), com mais 547 km.
Em junho, o governo assinou a ordem de serviço para começar a construção do lote 8 no trecho Missão Velha – Pecém (MVP). Outros cinco lotes dessa parte já estão em execução, todos cruzando a região central do Ceará e chegando ao Porto de Pecém. Agora, só faltam os lotes 9 e 10 para fechar a fase 1, e a expectativa é que esses contratos saiam até 2025.
A previsão é que os testes para transporte de carga aconteçam já em 2025, partindo do Terminal Intermodal de Cargas do Piauí e seguindo para o Ceará e Pernambuco. Se tudo andar como planejado, a região deve ganhar um novo fôlego, tanto para o escoamento da produção quanto para o desenvolvimento local. Para quem acompanha de perto ou só fica na torcida por mais opções de transporte, vale ficar atento aos próximos capítulos.
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